"I´m a princess! And this is not how a princess is supposed to look!"

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Carta aberta ao Kiko

Estimado Papa Francisco,
Ao que parece o Santo Padre tem marcada visita a este país à beira-mar plantado, já amanhã e estende-se até sábado. Creio ser seguro afirmar que nunca antes tivemos Portugal tão divulgado e com segurança tão apertada.
Não posso, no entanto, deixar de colocar fortes reservas à Sua vinda. É certo que é um ser adorável, e é inegável que isso, juntamente com o êxito do Salvador (e não, não estou a falar do Todo-Poderoso, ou de qualquer outro Santo que veio para salvar este humilde povo, falo do Sobral, o tal que está a por o mundo a chorar, mas com música), contribui e muito para prestigiar o nome de Portugal lá fora. Mas mobilizar a função pública e outros tantos devotos a irem fazer grandes caminhadas para nem passar cá umas míseras 24 horas?! Ó Santo Padre! Então nem fica para ver o Salvador na Final? Mas olhe que faz mal. Se não vejamos, não me acredito que o Santo Padre, Senhor Papa Francisco, e permita-me que o trate por Kiko (cá em Portugal temos muito o hábito de chamar Kiko aos Franciscos, aqui há uns anos era Chico, mas agora a tendência é Kiko, modernices) tenha ido a muitos países que, num só dia, o seu Líder nos consiga brindar com as quatros estações do ano no mesmo dia, já? Duvido. Olhe, ainda hoje foi assim, chuva e trovoada, e vais a ver um sol radiante.
Se me permite o Kiko também podia vir até ao norte. E depois não é isso, é que no dia em que vai cá passar a noite, e deixe-me dizer-lhe, Kiko, que já vi nas notícias o seu quartito, muito jeitoso, com uma salinha pequena e uma imagem da Virgem de Fátima e até tem uma janela virada para o pátio. E da parte do santuário queira saber que vão ter todo o cuidado em servi-lo com produtos frescos e da região. Pois é isso que me deixa indignada, então o Kiko, não dava cá um saltinho ao Porto? Teve iniciativa, sim senhor, mas faltou-lhe estratégia. Ia até Fátima, nada contra, foi lá que se deram os milagres, mas depois pegava no Papamóvel e vinha por aí acima provar a francesinha, e sempre bebia um bom vinho do Porto, que é capaz de ser mais divino que aquele que vai beber na cerimónia. E olhe que por cá também já se fizeram alguns milagres, ainda hoje o FCP fez as pazes com o Sporting. Temos que fazer sacrifícios, quantas vezes não pego no meu Sariumóvel e não vou pelos caminhos de Portugal, sabe Deus como?!
Pense lá bem nisso, até porque estamos na semana da queima e nessa noite até vem o James Morisson, que é um rapaz também assim conhecido como o Kiko e sempre via esta malta nova a curtir um som, se bem que não com aquele tom de quem está a rezar, é mais assim aos gritos, como que a acharem que chegam ao céu. Pense lá bem nisso.
Cá um beijinho,

Sariu

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Um objeto estranho-improvisado


A situação em que nos encontramos é tão grave que eu não percebo que se gaste tanto tempo a esmiuçar um assunto menor como o surto de sarampo ou o derby que se avizinha e tão pouco ou nenhum a discutir a ameaçada de bomba desta madrugada que motivou a evacuação de três prédios no Porto.
À primeira hora desta manhã, a CM Tv lança o ALERTA, comunicando a presença de um “objeto estranho” e anuncia a evacuação de “entre 20 a 30 pessoas” das suas casas. Não se perdoa à repórter o facto de não ter perguntado aos evacuados a que prédios pertenciam. Ora se são três prédios e 20 a 30 desalojados, ficamos sem perceber muito bem se os três prédios tinham uma média de 10 moradores por prédio, ou se alguém estaria ali só naquela noite, ou até se um prédio aloja mais evacuados do que o segundo ou terceiro. Ficamos sem saber, o que é uma pena. E isto é que deixa uma pessoa chateada, a falta de detalhe que às vezes falta a esta estação de televisão.
No fundo é por causa de omissão de informação como esta que começam falsas notícias. Seja como for, este “objeto estranho” é considerado pelo JN um “objeto improvisado”. E aqui começa a minha dificuldade (que eu cá tenho as minhas dificuldades). Ora então, não foi logo possível ver que o “objeto estranho”, não era mais de que “objeto improvisado”? E vocês agora perguntam-me: Um “objeto improvisado”, como assim? E eu respondo, porque podem perguntar, que eu gosto de vos esclarecer!
Improvisar um objeto, parece-me um pouco exagerado, eu cá acho que para improvisar, não há melhor que o César Mourão, que é uma rapaz culto, inteligente, bem humorado, porque o humor conta muito nas qualidades de uma pessoa. Esta é a pergunta que surge no espírito de todos: Para quê improvisar um objeto, que podia muito bem ser uma bomba. Destacar uma série de agentes, evacuar pessoas, fechar ruas, quando a meia dúzia de metros tem estádio do dragão, que volta e meia lança bombas de alto calibre e com uma qualidade piro-técnica nunca vista.
Improvisar um objeto, que não é uma mala, é um objeto montado, (segundo agentes policiais), a quem foi feito RX e tudo, e sobre o qual montaram um extenso perímetro de segurança enquanto decorriam as perícias, parece-me merecedor de uma cobertura noticiosa mais pormenorizada.
A julgar pelo desfecho, e o que a CM pôde apurar tratou-se de um comando de televisão envolto em fita-cola e com algumas luzes.

Assim sendo, e a ver pelo tempo de espera no serviço nacional de saúde, o leitor se se vir atrapalhado para fazer aquele maldito RX que ficou marcado para novembro, envolva-se em fita-cola, coloque umas luzinhas (podem ser aquelas fitas de led, que que se usam na árvore de natal) e chame a CM. É meio caminho andado para lhe fazerem o RX na hora e com sorte evacuam tudo o que esteja a mais.